Flexibilidade energética: porque gerir a energia se está a tornar tão importante como produzi-la

flexibilidade energetica Ewen Energy

Durante muitos anos, a transição energética esteve sobretudo centrada num objetivo: produzir mais eletricidade a partir de fontes renováveis.
Esse objetivo continua a ser fundamental. Mas, à medida que a energia solar e eólica ganham peso no sistema elétrico, surge um novo desafio: a energia nem sempre é produzida quando é mais necessária, nem tem sempre o mesmo valor ao longo do dia.
É precisamente aqui que entra a flexibilidade energética.
De forma simples, flexibilidade energética é a capacidade de adaptar a forma e o momento em que uma organização consome, produz ou armazena energia.
Mas existe uma condição essencial: para conseguir ser flexível, é primeiro necessário compreender a energia.

Não podemos gerir aquilo que não conseguimos medir

Uma empresa pode ter produção solar, baterias, equipamentos eficientes ou sistemas de climatização modernos. Mas, sem informação sobre como esses ativos estão efetivamente a funcionar em conjunto, uma parte significativa do seu potencial pode ficar por explorar.
A gestão de energia começa precisamente aí.
É necessário saber:

  • onde está a ser consumida energia;
  • quando acontecem os maiores consumos;
  • quais os equipamentos responsáveis por esses consumos;
  • como varia a procura ao longo do dia;
  • quanto da produção renovável está efetivamente a ser utilizada;
  • e onde existem desvios ou oportunidades de otimização.

Transformar estes dados em decisões é uma das funções centrais da gestão de energia.

Da monitorização à ação

Monitorizar é importante, mas não é suficiente.
O verdadeiro valor surge quando a informação permite atuar.
Imagine uma instalação industrial com produção solar. Durante determinadas horas, a central pode produzir mais eletricidade do que a fábrica necessita naquele momento.
Uma abordagem tradicional poderá simplesmente exportar esse excedente para a rede.
Uma abordagem mais inteligente pode analisar diferentes alternativas: deslocar determinados consumos para esse período, carregar uma bateria, ajustar equipamentos ou utilizar essa energia noutro momento de maior valor.
O mesmo princípio aplica-se aos edifícios.
Climatização, produção de água quente, carregamento de veículos elétricos ou outros sistemas podem ser geridos de forma mais inteligente quando existe informação em tempo real sobre consumo, produção, preços e condições operacionais.
A flexibilidade começa, portanto, com visibilidade, mas concretiza-se através de gestão ativa da energia.

Porque é que isto se está a tornar mais importante?

O sistema elétrico europeu está a tornar-se mais complexo.
Com mais produção solar e eólica, existem cada vez mais períodos de elevada disponibilidade de eletricidade renovável, mas também momentos em que essa produção diminui rapidamente.
Esta variabilidade está a aumentar a importância do momento em que a energia é consumida.
Em algumas horas, a eletricidade pode ser abundante e barata. Noutras, a procura elevada e a menor produção renovável podem aumentar significativamente o seu valor.

Energia como variável operacional

É aqui que a gestão de energia começa a ganhar uma dimensão estratégica.
Historicamente, a energia era muitas vezes tratada pelas empresas como uma despesa relativamente passiva: chegava a fatura, analisava-se o consumo e procuravam-se oportunidades pontuais de redução.
Hoje, esta abordagem é insuficiente.
A energia está cada vez mais ligada à operação.
Um sistema de gestão de energia permite acompanhar consumos, identificar desvios, estabelecer baselines, comparar instalações e perceber se as medidas implementadas estão efetivamente a produzir os resultados esperados.
Combinada com capacidade analítica e acompanhamento especializado, esta informação permite transformar dados energéticos em decisões operacionais.

O papel da tecnologia

Esta é precisamente a abordagem da Ewen by Helexia, especializada em eficiência e gestão de energia.
Através de ferramentas próprias, como o e+Monitor, é possível centralizar e analisar informação energética de diferentes instalações, equipamentos e fontes de energia.
Mas a tecnologia é apenas uma parte da solução.
O objetivo não é simplesmente disponibilizar dashboards. É interpretar os dados, identificar oportunidades, acompanhar o desempenho e ajudar as organizações a tomar melhores decisões sobre a sua energia.
Porque um alerta só tem valor quando alguém percebe o que significa e sabe o que fazer a seguir.

Flexibilidade e competitividade

Esta evolução tem também uma consequência económica importante.
Uma empresa capaz de compreender e adaptar o seu perfil energético pode:
reduzir consumos desnecessários, evitar períodos de maior custo, aumentar o aproveitamento da produção renovável, otimizar sistemas de armazenamento e melhorar o desempenho global das suas instalações.
Em determinados mercados, a flexibilidade poderá ainda permitir que alguns ativos participem em serviços de sistema ou mecanismos de resposta da procura, criando novas fontes de valor.
A energia deixa assim de ser apenas um custo a reduzir. Passa a ser uma variável que pode ser otimizada.

Da eficiência à inteligência energética

Durante décadas, eficiência energética significou sobretudo consumir menos.
Esse princípio continua válido, mas hoje é possível ir mais longe.
O próximo passo é consumir melhor.
Isso significa compreender quando a energia é necessária, utilizar produção renovável no momento mais adequado, armazenar quando faz sentido e coordenar diferentes equipamentos e ativos energéticos.
Na Ewen by Helexia, esta é a lógica por detrás da gestão ativa da energia: combinar conhecimento energético, tecnologia e acompanhamento contínuo para transformar dados em decisões e decisões em desempenho.
Porque, num sistema energético cada vez mais dinâmico, não será apenas a quantidade de energia consumida que determinará o seu valor. Será também a capacidade de a compreender, gerir e utilizar no momento certo.

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