Poderá a redução de custos ser realmente a chave para a criação de valor?

Num mercado onde investidores analisam métricas ESG, clientes exigem responsabilidade ambiental e a competitividade depende cada vez mais da estrutura de custos, eficiência e também reputação, acesso a financiamento e robustez estratégica.

edgar malato, artigo green savers

Num contexto de volatilidade estrutural dos preços da energia, maior pressão regulatória e margens cada vez mais exigentes, continuar a olhar para a eficiência como mera redução de custos é ignorar uma das mais relevantes alavancas de criação de valor ao dispor das organizações. A verdadeira questão já não é “quanto custa implementar?” mas antes “quanto custa continuar ineficiente?”

Por Edgar Malato, CEO da Ewen Energy

Durante demasiado tempo, a eficiência energética foi tratada como um tema secundário nas empresas. Uma linha discreta no orçamento. Um projeto adiado “para quando houver disponibilidade”. Um investimento avaliado quase exclusivamente pelo seu custo inicial. Essa abordagem não é apenas limitada. É estrategicamente perigosa.

Num contexto de volatilidade estrutural dos preços da energia, maior pressão regulatória e margens cada vez mais exigentes, continuar a olhar para a eficiência como mera redução de custos é ignorar uma das mais relevantes alavancas de criação de valor ao dispor das organizações. A verdadeira questão já não é “quanto custa implementar?” mas antes “quanto custa continuar ineficiente?”

O desperdício energético é uma fuga silenciosa de margem. É risco operacional acumulado. É maior exposição a choques externos. É dependência excessiva da rede. Quando a análise deixa de estar centrada no investimento inicial e passa a considerar o ciclo de vida dos ativos, a equação altera-se de forma estrutural. A eficiência deixa de ser um projeto técnico e passa a ser uma decisão estratégica de gestão.

Em Portugal, este debate é particularmente relevante. Muitas empresas continuam a adiar decisões por receio do CAPEX, ignorando que a inação tem um custo acumulado muito superior. A energia desperdiçada todos os dias raramente aparece como linha crítica nos relatórios financeiros, mas corrói competitividade de forma consistente.

Um exemplo concreto pode ser encontrado no setor hoteleiro. Num grande hotel de Lisboa, foi identificado um volume significativo de calor residual que estava simplesmente a ser dissipado para o exterior. Através de um projeto de engenharia focado na recuperação térmica e na otimização dos sistemas, essa energia passou a ser reaproveitada para o aquecimento de águas sanitárias. O resultado foi uma redução de cerca de 26% na fatura de gás, menor exposição à volatilidade do mercado e uma diminuição direta das emissões associadas à operação. Não se instalou mais capacidade. Não se aumentou consumo. Utilizou-se melhor o que já existia.

É aqui que reside a mudança de paradigma. Eficiência energética não é apenas consumir menos. É consumir melhor. É extrair mais valor da mesma infraestrutura. É transformar desperdício em desempenho operacional.

Num mercado onde investidores analisam métricas ESG, clientes exigem responsabilidade ambiental e a competitividade depende cada vez mais da estrutura de custos, eficiência e também reputação, acesso a financiamento e robustez estratégica.

A transição energética não será feita, por isso, apenas com mais produção renovável. Produzir energia limpa para depois a desperdiçar é um contrassenso económico e ambiental. A verdadeira transformação exige inteligência no consumo, engenharia aplicada aos processos e gestão ativa do desempenho energético.

No fim, energia eficiente não é a mais barata à partida. É a que cria mais valor ao longo do tempo. E ignorar isso, hoje, já não é prudência financeira. É perda de competitividade.

Artigo publicado em Green Savers

Pronto para Descarbonizar?

A solução está aqui.

Contacte-nos